Se existe um sonho de consumo hors concours entre os brasileiros, sem dúvidas é o de comprar um imóvel. Tanto que, em diversas pesquisas que mapeiam o comportamento do consumidor, como este estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o item “casa” é considerado tão unânime que sequer aparece entre as opções.

Se você também chegou à conclusão de que já é hora de sair do aluguel, este guia foi feito para você. Boa leitura!

O que é preciso para sair do aluguel?

Para sair do aluguel e obter estabilidade financeira é preciso planejamento. A família deve se unir em torno do objetivo em comum e estar ciente de que, a partir do momento em que essa decisão foi tomada, todos terão que fazer sua parte e se comprometer para alcançá-lo.

Se notar que um dos membros precisa de um estímulo a mais para se engajar, ajude-o. Faça da seguinte maneira: levante o custo anual com o aluguel e peça que imagine como esse dinheiro poderia ser gasto caso vocês já morassem em uma casa própria.

Para inspirá-los, pode-se dizer que um ano de aluguel é igual a:

  • viajar para destinos nacionais e internacionais paradisíacos;
  • trocar o carro da família por um modelo mais recente;
  • comprar eletrônicos e itens de beleza e vestuário desejados;
  • frequentar bons restaurantes, ir ao teatro e a diversos shows;
  • comemorar os aniversários dos filhos em buffets de primeira;
  • investir nos estudos, em hobbies, entre muitas outras realizações.

As melhores ideias podem ser listadas e coladas na porta da geladeira — para ajudar toda família a manter o foco ao longo do processo.

Portanto, sem mais delongas, para sair do aluguel e comprar um imóvel, siga os passos a seguir.

Organize as finanças pessoais

Ter uma vida financeira organizada é sempre importante, mas antes de adquirir um imóvel é ainda mais crucial, pois abre espaço para que a nova despesa caiba com folga no orçamento.

Para começar, levante a média da renda mensal da família e subtraia todos os gastos existentes no momento.

Veja se com o montante que sobra seria possível encaixar o gasto equivalente a uma prestação de financiamento de um imóvel cujo padrão agrade a todos — esse valor deve comprometer, no máximo, 30% da renda líquida familiar.

Verifique, também, se ainda sobrariam recursos para fazer uma poupança para despesas extras e imprevistos, o que comprometeria cerca de 10% da renda líquida.

Se for possível, ótimo. No entanto, nessa hora a maioria das pessoas percebe que necessita fazer alguns ajustes no orçamento doméstico a fim de se preparar para lidar com os futuros gastos. Se esse for o caso, vamos lá:

  • ao levantar os gastos existentes no momento, você certamente percebeu que existem itens que podem ser economizados ou mesmo cortados. Faça isso o quanto antes;
  • se tiver dívidas, elimine-as começando pelas que impõem as taxas de juros mais altas, como as feitas no cartão de crédito;
  • tente complementar a renda, fazendo horas extras, revendendo produtos de catálogo, vendendo doces ou salgados, tornando-se motorista de aplicativos de transporte, levando pets para passear; dando aulas sobre uma área que domine etc.

A partir de então, faça uma planilha (no papel, no Excel ou em um aplicativo de finanças, como preferir) e liste todas as despesas e receitas atuais, após o orçamento doméstico ter sido organizado.

Visualizando os dados de forma clara, com o cuidado de mantê-los sempre atualizados, você e sua família ficarão experts em perceber novas maneiras de economizar.

Com organização financeira, mesmo quem ainda não tem uma reserva constituída pode usar o tempo como aliado, fazendo as economias renderem para conseguir uma boa entrada em um imóvel, por exemplo.

Lembre-se de que quanto mais dinheiro poupar, menores serão as parcelas e o tempo de financiamento. Se obtiver o suficiente para comprá-lo à vista, melhor ainda! É possível conseguir bons descontos em uma negociação do tipo.

Estabeleça métodos para poupar dinheiro

Além de acabar com as dívidas, bem como cortar os gastos supérfluos e complementar a renda, existe uma série de medidas providenciais para juntar dinheiro.

Vale ressaltar que fazer um investimento no Tesouro Direto (do governo) ou em Certificados de Depósitos Bancários (de instituições financeiras) rende mais do que a tradicional poupança.

Porém, mais do que juntar dinheiro por conta da existência de um objetivo maior — sair do aluguel —, é importante criar bons hábitos financeiros e levá-los para a vida toda.

Ao ter critérios para lidar com os gastos, novos investimentos podem ser feitos com muito mais tranquilidade.

Por falar em métodos para poupar dinheiro, após organizar as finanças pessoais da família, experimente a regra dos 50-15-35:

  • calcule quanto dos gastos mensais pertencem à categoria dos itens essenciais, como moradia, alimentação e educação — eles devem ser supridos com até 50% da renda total;
  • veja quanto é destinado para o pagamento de dívidas — que devem comprometer até 15% da renda familiar;
  • levante quanto se esvai com a manutenção do estilo de vida da família, como lazer, compras e viagens — no máximo, 35%.

Duas dicas importantes: caso não tenha dívidas, os 15% podem ser investidos para gerar mais dinheiro.

Já os 35% referentes aos gastos com lazer podem ser cortados em caso de necessidade, sem que haja o comprometimento dos itens essenciais.

O bacana da regra dos 50-15-35 é que não é preciso abrir mão da qualidade de vida para economizar. Basta dosar cada categoria de gasto com equilíbrio e ajustar os hábitos de consumo, fazendo substituições de itens caros por similares mais em conta.

Para exemplificar: cinéfilos podem abrir mão das idas semanais aos cinemas, que além dos ingressos, geram despesas com estacionamento, comida e bebida, e aderir à assinatura de um serviço de streaming.

Opte por um aluguel mais barato

Se mesmo depois de se reorganizar financeiramente e aprender a poupar, o dinheiro que resta no fim do mês não for suficiente para financiar um imóvel no padrão desejado, é hora de cortar um dos maiores — se não o maior — gastos da família: o aluguel.

Procure outro imóvel. A alternativa deve ser a mais barata possível, já que se trata de uma habitação provisória. Recomenda-se que o aluguel equivalha a, no máximo, 0,5% do valor do imóvel locado.

De qualquer maneira, tenha atenção para não gastar mais com o aluguel do que gastaria com uma parcela de financiamento. Para economizar, ele deve consumir menos de 20% da renda familiar.

Outra estratégia é pedir abrigo na casa de parentes, desde que haja espaço suficiente para que a presença de vocês não se torne um estorvo.

Nesse caso, além de ajudar nas contas e tarefas, faça uma reunião e informe aos anfitriões sobre as metas e os prazos estipulados para a mudança para a casa própria, explicando quais foram as estratégias e os esforços empregados até então e quais são os próximos passos.

Pesquise os imóveis à venda

A escolha do imóvel ideal é subjetiva a cada família. De maneira geral, além de caber no orçamento doméstico, ele precisa atender às necessidades e satisfazer os principais desejos dos futuros moradores.

Além disso, deve ter um bom potencial de valorização para colaborar com a formação do patrimônio familiar.

Uma boa dica para não perder tempo nem se estressar em visitas a empreendimentos que não têm o perfil de seu interesse é procurar uma construtora ou incorporadora com a qual se identifique, iniciando sua busca a partir do seu portfólio.

Apenas certifique-se de que a empresa é confiável e tem credibilidade no mercado, por meio de informações sobre projetos anteriores, qualidade das construções, respeito aos prazos de entrega, situação fiscal etc.

Na hora em que começar a olhar os empreendimentos, você deve:

  • ter em mente se prefere morar em uma casa espaçosa ou em um apartamento aconchegante, bem como qual seria a metragem média mais adequada;
  • pensar em quais comércios (padarias, farmácias, supermercados, restaurantes, shoppings centers etc) e serviços (hospitais, centros de ensino, postos de combustíveis, entre outros) seriam importantes existirem no entorno;
  • avaliar critérios, como a quantidade de dormitórios necessária e a região favorita (perto do trabalho, da escola e/ou bem atendida por linhas de transporte público ou vias que ligam importantes regiões da cidade);
  • ver se o bairro tem saneamento básico, coleta de lixo seletiva, ruas bem pavimentadas e suficientemente iluminadas e acesso às redes de telecomunicações (para o sinal de televisão e internet);
  • levantar, por fim, informações sobre as condições de segurança do local, reparando, inclusive, se há presença de policiamento nas ruas.

Quem optar por viver em condomínios fechados, por sua vez, deve conhecer quais são as facilidades inclusas nesse modelo de habitação, para ver se são de interesse da família.

Mas atenção: em vez de pensar na taxa condominial como um gasto a mais, saiba que muitas pessoas conseguem fazer grandes economias — de tempo e dinheiro — ao se mudarem para esses empreendimentos.

Graças às infraestruturas de lazer completas (com academia, piscina, áreas verdes, salões de jogos, de festas e gourmets), muitos moradores preferem ficar no próprio condomínio a se deslocar pela cidade, encarar o trânsito e ainda ter que gastar com mensalidades de clubes, estacionamento e outros custos.

Também contam pontos a favor desse estilo de vida a questão do convívio social, principalmente para famílias com filhos — os quais podem brincar com os colegas no dia a dia sem precisar sair do condomínio, onde a segurança é reforçada.

Por fim, não se esqueça de pedir para o corretor ou agente de vendas mostrar os imóveis que estão com condições especiais, comuns para empreendimentos em lançamento — que acabam custando mais barato do que as unidades prontas.

Caso um imóvel seja do seu interesse, antes de fechar negócio, tenha atenção à documentação e, para esclarecer dúvidas, conte com um advogado especialista em Direito Imobiliário. Alguns cuidados na compra não devem ser negligenciados.

Estipule metas e prazos para suas conquistas

As metas variam de família para família, conforme os hábitos de consumo, mas de modo geral devem ser focadas em aumentar a economia. Por isso, liste-as e deixe em um local bem visível. São exemplos:

  • reduzir as saídas para jantar fora aos finais de semana de quatro para uma vez ao mês;
  • deixar o carro na garagem e usar o transporte público, pelo menos, de segunda a quinta-feira;
  • levar marmita e lanchinhos para o trabalho, em vez de fazer as refeições em lanchonetes e restaurantes;
  • trocar a academia de ginástica pelas práticas esportivas realizadas gratuitamente em parques.

Outra questão muito importante relacionada aos prazos é que, para quem está pagando aluguel, o quanto antes puder se mudar para o imóvel novo e se livrar desse ônus, melhor.

Acontece que imóveis na planta ou em fase de construção podem atrasar, por isso é importante conhecer o histórico da construtora se optar por um empreendimento nesses moldes. Imagine se chega o período de renovar o aluguel e o imóvel que deveria ter sido entregue ainda estiver em obras?

Por isso, uma boa opção para quem mora de aluguel é optar por um imóvel novo e pronto para morar, que não tem chance de apresentar problemas em cartório, como pode ocorrer com os imóveis usados.

Em um imóvel desse tipo é possível saber a data exata da mudança e se programar de maneira mais eficiente e menos estressante.

Defina a forma de pagamento

De maneira geral, é possível pagar um imóvel à vista, por meio de um financiamento (com o banco ou diretamente com a construtora) ou de um consórcio. Confira as características de cada forma de pagamento.

À vista

A realidade é que, por se tratar de um investimento alto, poucas pessoas têm condições de adquirir o primeiro imóvel à vista. Quem consegue a façanha, porém, obtém um bom desconto e enfrenta menos burocracia no processo de compra.

Financiamento

A maioria, no entanto, opta pelo financiamento bancário. Para obter o crédito, é preciso reunir diversos documentos (pessoais e do imóvel, selecionados a critério de cada instituição credora) e não constar no cadastro de inadimplentes (Serasa ou Serviço de Proteção ao Crédito).

Com o crédito aprovado, geralmente, é preciso dar uma entrada, cujo valor pode vir das reservas obtidas por meio de economias e do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e financiar o restante do valor.

O ideal é dar a maior entrada possível e financiar o imóvel em menos tempo, de modo que a incidência dos juros cobrados ao longo dos anos seja menor. Isso evita casos em que o valor gasto no financiamento se torna várias vezes superior ao preço do imóvel na época da compra.

Antes de aderir a um financiamento, consulte vários bancos e solicite simulações. Também é possível ver se seu perfil se encaixa no Minha Casa Minha Vida, iniciativa do Governo Federal que beneficia famílias com renda bruta de até R$ 9 mil mensais.

No programa, o financiamento é feito pela Caixa Econômica Federal, banco que oferece as menores taxas do mercado e até 30 anos (360 meses) para pagar.

Uma alternativa ao financiamento bancário é o financiamento diretamente com as construtoras. Mas é preciso checar o histórico da empresa para não correr riscos (como decorrentes de falência).

Consórcio

Outra possibilidade é reunir os recursos necessários para a compra por meio de um consórcio imobiliário, cujas empresas administradoras são fiscalizadas pelo Banco Central.

Nessa modalidade, não há juros nem é preciso dar entrada. O cliente começa a pagar as mensalidades diretamente, definidas de acordo com suas possibilidades financeiras.

Após um período de carência, determinado em contrato, a carta de crédito (o valor do bem escolhido) pode ser obtida por meio de sorteio ou de um lance superior aos lances dados pelos demais participantes do grupo.

Vale destacar que é possível usar o saldo do FGTS para ofertar lances, complementar a carta de crédito ou amortizar o saldo devedor do consórcio — aumentando as chances de contemplação.

Para participar dos sorteios e dos lances, realizados mensalmente enquanto durar o grupo, basta estar com o pagamento das parcelas do consórcio em dia. A participação pode ser presencial, online ou por telefone.

Ainda que não tenha juros, as parcelas de consórcios são reajustadas anualmente, conforme estabelecido em contrato. Porém, a cada aumento, a carta de crédito também é reajustada, o que garante a manutenção do poder de compra do cliente.

Inclua no orçamento os custos extras com a compra 

Além do preço do imóvel, outros custos devem ser considerados desde a fase de planejamento a fim de evitar apertos financeiros após o recebimento das chaves. São exemplos:

  • as taxas cobradas pela documentação (como a escritura e o Imposto de Transição de Bens Imóveis) no Cartório de Registro de Imóveis, que ficam em torno de 5% do valor do imóvel e são obrigatórias;
  • a taxa condominial (em caso de imóvel localizado em condomínio), que começa a ser cobrada assim que o proprietário recebe as chaves, independentemente de já ter se mudado ou não, e também é obrigatória;
  • o frete para a mudança, que é calculado a partir de uma média entre a quantidade de móveis e objetos (em que se considera o volume que ocupam) e a distância percorrida;
  • os gastos com as compras de materiais de acabamento (se precisar colocar ou quiser trocar pisos, azulejos e outros revestimentos), bem como com pintura e gesso, além de itens de mobiliário, eletrodomésticos e objetos de decoração novos.

Ter às claras os custos obrigatórios com as taxas referentes à documentação e ao pagamento do condomínio, principalmente, evita que as economias da família sejam gastas por impulso em meio à empolgação de se mudar para a casa nova.

Como sair do aluguel antes de o contrato vencer?

Já pensou se, depois de tanto empenho para se organizar financeiramente e encontrar o imóvel ideal, os esforços empreendidos pela família esbarrem em um entrave de cunho legal?

Para não ter que enfrentar uma batalha jurídica por conta de um rompimento de contrato, previna-se recapitulando o que foi acordado no contrato de locação.

Geralmente, fica estabelecido que o locatário tem que comunicar o proprietário, por escrito, acerca do interesse em deixar o imóvel, com pelo menos 30 dias de antecedência.

Se houver previsão de multa contratual, em caso de rompimento antes do prazo definido e acordado entre as partes, caberá ao locatário arcar com o prejuízo.

A multa é proporcional ao tempo que resta para o fim do contrato, ou seja, quanto mais próxima à data de vencimento, menor será seu valor. Inclua mais esse gasto nos custos extras do orçamento.

Aliás, caso tenha feito pinturas no imóvel, diferentes das tonalidades existentes quando o contrato foi assinado, é preciso restaurá-lo conforme os padrões originais antes de sair.

Por que vale a pena sair do aluguel?

Um dos principais motivos que compensam a saída do aluguel é acabar com a sensação de jogar boa parte da renda familiar fora todos os meses. Na prática, trata-se de trocar um gasto por um investimento.

Afinal, por mais que façam uso do imóvel, trata-se de um benefício momentâneo, pois o bem não é de vocês e, para piorar, gera um compromisso que os afastam, cada vez mais, da aquisição da casa própria.

Outra vantagem de sair do aluguel é a questão da segurança, pois caso a família passe por alguma crise financeira, em função da demissão de um dos provedores de renda, não é preciso devolver o imóvel por não ter condição de pagar o aluguel.

Além disso, como proprietário você tem autonomia para fazer as melhorias que desejar no imóvel, personalizando-o e tornando ideal para as necessidades e os desejos da família. Investir em reformas e em móveis planejados, por exemplo, passa a valer a pena.

E, por último, mas não menos importante, enquanto as parcelas de um financiamento imobiliário são previstas em contrato e decrescentes, o valor do aluguel pode aumentar.

Assim, em meio à empreitada rumo à casa própria, mais do que sair do aluguel, você e sua família construirão as bases para ter equilíbrio financeiro em qualquer situação, o que impacta, positivamente, em todos os aspectos da vida, pessoal ou profissional. A compra do imóvel é apenas a primeira de muitas conquistas importantes que se sucederão.

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